FÓRUM EVANGÉLICO
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Toda Honra e Glória ao Senhor,
Equipe Apologética

SERMÃO DE NATAL

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SERMÃO DE NATAL

Mensagem  Equipe Apologética em Sex Dez 23, 2011 7:50 pm

Nº 1026
Sermão pregado no Domingo, 24 de Dezembro de 1871
por Charles Haddon Spurgeon,
no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres.



“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.” Lucas 2:10 -12

Não temos um respeito supersticioso pelos tempos e as estações. Certamente não cremos na presente disposição eclesiástica chamada Natal – primeiro, porque de nenhuma maneira cremos na Missa, mas a aborrecemos, seja ela falada ou cantada, em latim ou inglês. E em segundo lugar, porque não encontramos nenhuma base nas Escrituras para guardar algum dia como o dia do nascimento do Salvador.

Então, como não é por autoridade divina, sua observação é uma superstição. A superstição fixou da maneira mais concluinte o dia do nascimento de nosso Salvador, ainda que não exista a possibilidade de se descobrir quando realmente ocorreu. Fabrício nos fornece um catálogo de 136 diferentes opiniões de eruditos sobre o assunto. E diferentes teólogos inventam diversos argumentos de peso para advogar por uma data em cada mês do ano.

Não foi senão até meados do terceiro século que uma parte da igreja celebrou a natividade de nosso Senhor – e não foi senão muito tempo depois que a igreja do ocidente tinha dado o exemplo, que a igreja oriental adotou essa celebração. Posto que o dia é desconhecido, a superstição o determinou. Apesar de que o dia da morte de nosso Salvador poderia se determinar com muita certeza, a superstição move a data de sua observância a cada ano. Por acaso existe um método na loucura dos supersticiosos? Provavelmente os dias santos foram estabelecidos para se ajustarem aos festivais pagãos. Aventuramos-nos em afirmar que se existe algum dia do ano do qual podemos estar muito certos de que não foi o dia que o Salvador nasceu, é o dia 25 de dezembro.

No entanto, como a corrente dos pensamentos das pessoas já está direcionada por esse caminho e eu não vejo nenhum mal nessa corrente em si mesma, orientarei o barco de nosso sermão até essa correnteza e farei uso desse fato, que não irei justificar nem condenar, intentando assim conduzir os pensamentos de vocês na mesma direção.

Posto que é legitimo e digno de elogio meditar na encarnação do Senhor em qualquer dia do ano, não está no poder das superstições de outros homens converter tal meditação imprópria no dia de hoje. Então, sem importar a data, demos graças a Deus pelo dom de Seu Filho amado.

Em nosso texto temos diante de nós o sermão do primeiro evangelista sob a dispensação do Evangelho. Esse pregador era um anjo, e foi conveniente que assim fosse, pois o mais grandioso e último de todos os Evangelhos será proclamado por um anjo, quando se toque a trombeta da ressurreição e os filhos da regeneração levantem-se na plenitude de seu regozijo. A nota essencial desse Evangelho angelical é a alegria: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria.”

A natureza teme na presença de Deus – os pastores estavam tremendamente atemorizados. A própria Lei servia para aprofundar esse sentimento natural de desânimo – vendo que os homens eram pecadores, e que a Lei veio ao mundo para revelar o pecado, sua tendência era fazer com que os homens temessem e tremessem sob cada revelação divina. Os judeus criam unanimamente que, qualquer homem que contemplasse aparições sobrenaturais, certamente morreria, de tal forma que aquilo que a natureza ditava, a Lei e as crenças em geral daqueles que estavam sob a Lei também o estimulavam.

Porem, a primeira palavra do Evangelho terminou com tudo isso, porque o evangelista angelical disse: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria.” A partir desse momento não deve ser uma coisa terrível para o homem aproximar-se de seu Criador. O homem redimido não deve temer quando Deus corre o véu do esplendor de Sua majestade, pois Ele já não aparece como um juiz sobre Seu trono de terror, mas sim como um Pai confiável em sagrada familiaridade com Seus próprios filhos amados.

A alegria de que esse primeiro pregador falou não era insignificante, pois disse: “vos trago novas”; e isso em si era júbilo, e não somente boas novas de alegria, mas sim “novas de grande alegria.” Cada palavra é enfática, para mostrar que o Evangelho está dirigido, acima de todas as coisas, a promover e criar sobreabundantemente a maior alegria possível no coração humano onde ele é recebido.

O homem é como uma harpa que tem suas cordas desajustadas, e por isso a música das cordas vivas de sua alma é desafinada – toda sua natureza geme de dor. Porem, o Filho de Davi, esse poderoso harpista, veio restaurar a harmonia da humanidade, e ai mesmo onde Seus dedos graciosos se movem entre as cordas, o toque dos dedos de um Deus encarnado produz uma doce música, uma rica melodia como o cântico de um serafim. Queira Deus que todos os homens sintam essa mão divina.

Ao tentar abrir esse discurso angelical no dia de hoje, faremos um comentário sobre três coisas: a alegria que é mencionada, em seguida, as pessoas para quem essa alegria são endereçadas, e em terceiro, o sinal dado, o qual é para nós como foi para os pastores, um sinal do nascimento e fonte de regozijo.

I. Primeiro, então, consideraremos A ALEGRIA, que é mencionada em nosso texto: de onde procede, e o que é?

Já falamos que é uma “grande alegria” – boas novas de grande alegria – o gozo da terra é pequeno, seu júbilo é trivial, porem o céu nos enviou uma alegria imensurável, apropriada para mentes imortais. Já que não se acrescenta nenhuma nota sobre o tempo, e não há nenhuma indicação de que a mensagem será revogada alguma vez, podemos dizer que é uma alegria perdurável, um gozo que ressoará através das eras, cujos ecos se escutarão até que a trombeta traga a ressurreição. Sim, e posteriormente , para sempre.

Pois, quando Deus enviou o anjo em seu esplendor para anunciar , “trago novas de grande alegria, que será para todo o povo”, ele também disse: “Desde agora e para sempre haverá alegria para os filhos dos homens. Haverá paz para a raça humana, e boa vontade para os homens por sempre e para sempre, enquanto se dão glórias a Deus nas alturas”. Oh, bendito pensamento! A Estrela de Belém nunca se ocultará. Jesus, o mais formoso entre dez mil, o mais amável entre os belos, é uma alegria para sempre.

Posto que essa alegria está expressamente associada com a glória de Deus pelas palavras: “Glórias a Deus nas alturas”, podemos estar convencidos que é uma alegria pura e santa. Nenhuma outra alegria poderia ter sido proclamada por um anjo, e certamente, nenhuma outra alegria é alegria.

O vinho obtido das uvas de Sodoma pode borbulhar e ser espumoso, porem, no final é amargura, e seu sedimento é morte. Só o que provêm dos ramos de Escol é o verdadeiro vinho do reino, que faz feliz o coração de Deus e o coração do homem. A alegria santa é a alegria do céu, e essa alegria, podem estar certos, é a verdadeira essência da alegria. A alegria do pecado é uma fonte de fogo, que tem sua origem no ardente solo do inferno, que enlouquece e consome àqueles que bebem de sua água ardente. De tais deleites não desejamos beber.

Ser feliz no pecado é pior que estar condenado, pois o princípio da graça faz com que uma pessoa sinta-se miserável no pecado, e a consumação da graça é ter escapado completamente do pecado, e estremecer-se só de pensar nele. É um inferno viver no pecado e na miséria, e é cair ainda mais baixo quando os homens podem desfrutar do gozo do pecado. Deus nos livre de uma paz impura e de uma alegria ímpia! A alegria anunciada pelo anjo da Natividade é muito pura, duradoura, santa e muito grande. Devemos crer sempre, no que concerne a religião cristã, que ela possui alegria em si mesma e que celebra suas festas dentro de seus próprios recintos puros, uma festa em que todos seus manjares delicados crescem em solo santo.

Há aqueles que amanhã pretenderão exibir alegria ao recordar o nascimento de nosso Salvador, porem não buscarão seu prazer no Salvador: precisarão de muitos acréscimos à festa antes que possam estar satisfeitos. A alegria em Emanuel seria um pobre tipo de alegria para eles. Nesse país, muito frequentemente, se não estivessem ciente do nome, alguém poderia certamente acreditar que o festival do Natal é uma festa de Baco ou de Ceres, não uma comemoração de um nascimento Divino.

No entanto, há razão suficiente para o santo gozo no Senhor mesmo, e razões suficientes para o êxtase em Seu nascimento entre os homens. É de temer que a maior parte dos homens imagine que em Cristo só existe seriedade e solenidade, e consequentemente, fatiga, tristeza e descontentamento. Por conseguinte, buscam mais do que Cristo permite: tomam manjares das mesas de Satanás, com os quais adornam o banquete que se tem em honra de um Salvador. Que não seja assim entre vocês. A alegria que o Evangelho proporciona não é emprestada, antes, floresce em seu próprio jardim. Podemos dizer em verdade, com a linguagem de um de nossos mais doces hinos:

“Não preciso sair em busca de gozo,
Tenho uma festa em casa;
Meus suspiros agora são canções,
Meu coração já não anda errante.
Vindo de cima, a Pomba Bendita
Veio a meu peito,
Para testemunhar Seu eterno amor,
E dar descanso a meu espírito.”


Que nossa alegria seja água viva proveniente daquelas fontes sagradas que o Senhor mesmo escavou. Que Sua alegria habite em nós, para que ela seja plena. Da alegria de Cristo não podemos possuir em excesso. Não temamos exagerar quando Seu amor é o vinho que bebemos. Ó, estar submerso nessa corrente pura de deleites espirituais! Porem, por que a vinda de Cristo a esse mundo é ocasião de alegria? A resposta é: primeiro, porque é para sempre um feito alegre que Deus esteja em aliança com o homem, especialmente quando a aliança é tão próxima que Deus toma verdadeiramente nossa humanidade em união com Sua Divindade – de tal maneira que Deus e o homem constituem uma divina e misteriosa pessoa.

O pecado tinha separado o homem de Deus. Mas a encarnação coloca uma ponte nessa separação: é um prelúdio do sacrifício de expiação, um prelúdio repleto da mais rica esperança. Daqui a adiante, quando Deus olha ao homem, Ele lembra que Seu próprio Filho é um homem. A partir desse dia, quando ele observa ao pecador, se Sua ira arde, Ele lembrará que Seu próprio Filho, como homem, se pôs no lugar do pecador, e levou a condenação do pecador. Como no caso de uma guerra em que a contenda termina quando as partes opostas chegam a um acordo, assim já não há mais guerra entre Deus e o homem, porque Deus tomou o homem em íntima união com Ele mesmo. Aqui, então, houve uma causa de alegria.

Mas houve algo mais do que isso, porque os pastores estavam conscientes que existiram desde outrora promessas que tinha sido a esperança e o consolo dos crentes de todos os tempos, e essas promessas iriam ser cumpridas agora. Existia essa antiga promessa feita no umbral do Éden aos primeiros pecadores de nossa raça: que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente. Houve outra promessa, feita ao pai dos fiéis, que em sua semente seriam benditas todas as famílias da terra; e muitas promessas proferidas das bocas dos profetas e dos santos desde que o mundo teve início.

Agora, o anúncio do anjo do Senhor aos pastores foi uma declaração de que o pacto tinha sido cumprido, e que agora na plenitude do tempo Deus vindicaria Sua Palavra, e o Messias, que iria ser a glória de Israel e a esperança do mundo, agora tinha realmente chegado.

Alegrem-se céus, e alegre-se, ó terra, pois o Senhor o tem feito, e em misericórdia Ele visitou Seu povo. O Senhor não permitiu que Sua palavra falhasse, mas sim cumpriu Suas promessas a Seu povo. O tempo para favorecer a Sião, sim, o tempo fixado, chegou! Agora que o cetro se apartou de Judá, observe que vem Siló, o Mensageiro do pacto subitamente aparece em Seu templo!

Mas o cântico do anjo tinha, em si, uma razão mais plena para o júbilo. Pois nosso Senhor, que tinha nascido em Belém, veio como um Salvador. “Porque vos há nascido hoje um Salvador.” Deus tinha vindo à terra antes, porem não como um Salvador. Recordem essa terrível vinda quando três anjos foram para Sodoma ao anoitecer, pois o Senhor disse: “Descerei agora e verei se fizeram em tudo conforme a seu clamor, o qual chegou até mim.”

Ele tinha vindo como um espia para ser testemunha do pecado humano, e como um vingador para levantar Sua mão ao céu e ordenar que o fogo acesso descesse e queimasse as cidades malditas da planície. Horror para o mundo quando Deus desce assim! Se o Sinai fumega quando a Lei é proclamada, a terra mesma se derreterá quando as violações contra a Lei sejam castigadas. Porem, agora Ele veio, não como um anjo de vingança, mas sim como um homem pleno de misericórdia. Não para espiar nosso pecado, mas sim para tirá-lo. Não para castigar nossa culpa, mas sim para perdoá-la.

O Senhor poderia ter vindo com raios em ambas as mãos. Poderia ter vindo como Elias para trazer fogo do céu. Mas não, Suas mãos estão cheias de dons de amor, e Sua presença é a garantia da graça.

O bebê nascido na manjedoura poderia ter sido outro profeta de lágrimas, ou outro filho do trovão, porem, Ele não foi assim – Ele veio em mansidão, Sua glória e Seu trovão, deixou-os de lado:

“Era a misericórdia a que enchia o trono,
E a ira permaneceu silenciosa de um lado,
Quando Cristo veio em Sua bondosa missão
De morrer pelos pecadores sentenciados.”

Alegrem-se vocês que se sentem perdidos. O Salvador de vocês vem buscá-los e salvá-los. Tenham bom ânimo, vocês que estão em prisão, porque Ele veio colocá-los em liberdade. Vocês que sofrem de fome e estão a ponto de morrer, alegrem-se porque Ele consagrou uma Belém para vocês, uma Casa de Pão, e Ele veio para ser o pão de vida para suas almas. Alegrem-se, ó pecadores, em todas as partes, porque nasceu o Restaurador dos perdidos, o Salvador dos caídos! Unam-se a alegria dos santos, porque ele é o preservador dos salvos, livrando-os de inumeráveis perigos, e Ele é o seguro aperfeiçoador daqueles que preserva.

Jesus não é um Salvador parcial, que começa uma obra e não a acaba – não, mas restaurando e sustentando, Ele também aperfeiçoa e apresenta os salvos sem mancha, ruga, nem coisa alguma parecida diante do trono de Seu Pai. Regozijem em alta voz todos os povos, que as colinas e os vales ressoem com gozo, porque um Salvador que é poderoso para salvar nasceu dentre vocês.

E isso não foi todo a alegria santa, pois a seguinte palavra também tem uma plenitude de gozo, “um Salvador, que é Cristo” ou, o Ungido. Nosso Senhor não era um Salvador entusiasta que desceu do céu em uma missão que não tinha sido autorizada. Antes, Ele foi escolhido, ordenado e ungido por Deus. Ele podia dizer verdadeiramente, “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor me há ungido.” Aqui existe grande consolo para todos que necessitam de um Salvador. Para eles não é um insignificante consolo que Deus mesmo tenha autorizado a Cristo para salvar os necessitados. Não pode haver temor de uma cisão entre o mediador e o juiz – não há perigo da falta de aceitação da obra de nosso Salvador. Deus comissionou a Cristo para fazer o que Ele fez, e, ao salvar pecadores, Ele tão somente está executando a própria vontade de Seu Pai.

Cristo aqui é chamado “Ungido.” Todo Seu povo é ungido, e houve sacerdotes segundo a ordem de Arão que foram ungidos, porem, Ele é o Ungido por excelência, “ungido com óleo de alegria mais que a seus companheiros.” Tão abundantemente ungido que, como a unção na cabeça de Arão, a sagrada unção da Cabeça da Igreja desce em copiosas torrentes, até que nós, que somos como as abas de suas vestes, somos perfumados com o rico perfume. Ele é “o Ungido” em um triplo sentido: como Profeta, para pregar o Evangelho com poder; como Sacerdote, para oferecer sacrifício, e como Rei, para reinar e governar. E em cada um desses ofícios Ele é preeminente. Ele é tal Mestre, Sacerdote e Governante como jamais se viu antes. Nele houve uma rara conjunção desses gloriosos ofícios, porque jamais entre os filhos dos homens se havia juntado o ofício de profeta, sacerdote e rei em uma só pessoa, e nem acontecerá novamente.

Tripla é a unção Dele, que é: um Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, um Profeta como Moisés e um Rei cujo domínio não tem fim. Em nome de Cristo, o Espírito Santo é glorificado ao ser visto quando unge ao Deus encarnado. Em verdade, amados irmãos, se tão somente entendêssemos isso e o recebêssemos em nossos corações, nossas almas dariam saltos de alegria nesse domingo ao pensar que nasceu entre nós um Salvador, que é o Ungido do Senhor.

Toquemos bem e ouçamos bem uma nota mais, que é a mais sonora: “Que é Cristo, o Senhor”. Agora, a palavra ‘Senhor’, o Kurios, que é usada aqui, é equivalente a Jeová. Não podemos duvidar disso, porque é a mesma palavra usada duas vezes no versículo nove, e nesse versículo ninguém pode questionar que quer dizer ‘Jeová’.

Ouçam-lhe, “E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor.” E, se isso não é suficiente, leiam o versículo vinte e três “Segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor.” Agora, a palavra Senhor, aqui certamente se refere a Jeová, o único Deus. Nosso Salvador é Cristo, Deus, Jeová. Nenhum testemunho de Sua divindade poderia ser mais claro; é indisputável. E que alegria há nisso, pois suponhamos que um anjo tivesse sido nosso Salvador. Ele não teria sido capaz de suportar a carga de meus pecados nem os de vocês. Ou se algo menos que Deus tivesse se estabelecido como a base de nossa salvação, teria mostrado-se um fundamento muitíssimo frágil.

Mas se O que se encarrega de nos salvar não é outro senão o Infinito e o Todo Poderoso, então a carga de nossa culpa pode ser levada sobre esses ombros. A tremenda tarefa de nossa salvação pode ser lograda por esse Obreiro, e com muita facilidade, pois todas as coisas são possíveis para Deus, e Ele é capaz de salvar totalmente àqueles que se chegam a Deus por meio Dele. Filhos dos homens, percebam aqui o tema de sua alegria. O Deus que os criou, e a Quem ofenderam, desceu do Céu e tomou sobre Si a natureza de vocês para poder salvá-los!

Ele veio na plenitude de Sua glória e no infinito de Sua misericórdia para redimi-los. Vocês não dão boas vindas a essa notícia? Como seus corações não estarão agradecidos por isso? Por acaso esse amor incomparável não desperta gratidão?

Se não fosse por esse divino Salvador, a vida de vocês aqui teria sido infelicidade, e a existência futura de vocês uma aflição sem fim. Ó, eu rogo que vocês adorem ao Deus encarnado, e confiem Nele. Então, bendirão ao Senhor por livrá-los da ira vindoura, e na medida em que se apegam a Jesus, e encontram a salvação em Seu nome, entoarão canções para Seu louvor, e se alegrarão com a alegria sagrada. Aqui concluo o concernente a essa alegria.

II. Prestem atenção enquanto falo brevemente do POVO a quem vem essa alegria. Observem como o anjo começa, “eis aqui, vos trago novas de grande alegria ... porque hoje vos nasceu.” Assim, então, a alegria começou com os primeiros que a ouviram, os pastores. “Vos” o anjo diz, “porque vos nasceu.” Amado ouvinte, essa alegria começará hoje contigo? De pouco beneficio será que Cristo tenha nascido, ou que Cristo tenha morrido, a menos que para você tenha nascido um menino, e que por você tenha derramado Seu sangue. Um interesse pessoal é o ponto principal. “Mas eu sou pobre”, alguém diz. Os pastores também o eram. Ó, vocês os pobres, por vocês esse misterioso menino nasceu.

“Aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:5) “Julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado, e quebrantará o opressor.” (Salmo 72:4) Mas alguém diz: “sou insignificante e desconhecido.” Os homens vigilantes na vastidão da meia-noite também o eram. Quem conhecia aos homens que suportavam um trabalho fatigante e guardavam seus rebanhos pelas madrugadas? Porem vocês, desconhecidos dos homens, são conhecidos por Deus, não se dirão que “vos nasceu um menino”?

O Senhor não toma em conta a grandeza dos homens, porem sim têm respeito pelos humildes. “Mas somos analfabetos,” vocês dizem, e não podem entender muito. Ainda que assim o seja, Cristo nasceu para os pastores, e sua simplicidade não lhes impediu que o recebessem, antes, ainda mais lhes ajudou. Que assim seja contigo: receba alegremente a sincera verdade que está em Jesus. O Senhor exaltou a Um escolhido do povo. Não é um Cristo aristocrático aquele quem eu tenho que pregar a vocês, mas sim o Salvador do povo, amigo de publicanos e pecadores.

Jesus é o verdadeiro “amigo dos pobres”. Ele foi posto “por pacto ao povo”, dado para ser “por chefe e por mestre às nações”. A vocês lhes foi dado Jesus. Ó, que cada coração pudesse em verdade dizer: “para mim, nasceu Jesus”. Pois se verdadeiramente creio em Jesus, para mim nasceu Cristo, e posso estar tão seguro disso como se um anjo o tivesse anunciado, pois a Escritura me diz que, se eu creio em Jesus, Ele é meu.

Depois que o anjo disse “vos trago”, continuou dizendo[1], “que serão para todos os povos” Porem, nossa tradução aqui não é precisa. O grego diz “que serão para todo o povo[2]” Isso se refere com certeza a toda a nação judia – não há dúvidas a respeito disso. Se alguém for ao original não encontrará uma versão tão ampla e compreensiva como a que nos é dada pelos tradutores. Deve-se traduzir “para todo o povo”. Por quanto tempo e que pecaminosamente a Igreja cristã desprezou a mais honorável entre todas as nações! Que barbaramente Israel foi tratado pela assim chamada igreja! Senti que meu espírito fervia de indignação em Roma[3] quando estive no bairro judeu e escutei as cruéis indignidades que os Papas amontoaram sobre os judeus, mesmo em tempos recentes. Em nossa época ainda há uma igreja que está construída de frente da entrada do bairro judeu, e ali os infelizes judeus eram forçados a entrar em certas ocasiões. Nessa igreja eram obrigados a se afiliarem, notem bem, afiliarem-se, esses que adoram ao Único Deus invisível, para apoiar um sistema que está tão leproso de idolatria como os cananeus que aborreciam ao Senhor estavam outrora.

O paganismo não é mais degradante que o catolicismo romano. Na porta dessa igreja estão colocadas, em sua própria língua, em hebreu, essas palavras: “Todo o dia estendi minhas mãos a um povo rebelde e contradizente.” Como, por meio de tal insulto, eles podem esperar converter os judeus? O judeu observou por todos os lados ídolos que sua alma aborrecia, e destetava o nome de Cristo, porque o associava com a adoração aos ídolos, e não me surpreende que assim o tenha feito. Louvo ao judeu que não podia renunciar a seu próprio teísmo simplório, nem a adoração ao verdadeiro Deus, por uma superstição tão baixa e degradante como era a que Roma lhe apresentava.

Em vez de pensar que é uma maravilha de incredulidade que o judeu não seja cristão, o honro por sua fé e sua brava resistência a um paganismo fascinante. Se o catolicismo romano é cristianismo, eu não sou, nem poderia ser, um cristão. Seria algo mais valente ser um simples crente em um único Deus, ou ainda ser alguém que duvida honestamente de todas as religiões, do que adorar tamanha multidão de deuses e deusas que os Papas estabeleceram, e inclinar-me como essa igreja o faz, diante de seus ossos podres e sudários antigos.

Que a verdadeira igreja cristã pense com amor no judeu, e com enérgico respeito lhe fale o verdadeiro Evangelho. Que barrem a superstição, e coloquem diante dele o único Deus misericordioso na Trindade de Sua divina Unidade. E o dia virá quando os Judeus, que foram os primeiros apóstolos para os gentios, os primeiros missionários que foram ao longe, serão reunidos de novo. Entanto que isso não suceda, a plenitude da glória da igreja nunca poderá dar-se.

Incomparáveis benefícios para o mundo estão unidos com a restauração de Israel. Sua reunião será como vida saída da morte. Jesus o Salvador é a alegria de todas as nações, mas que não se negue à raça escolhida sua porção peculiar de qualquer promessa que a Sagrada Escritura registrou com uma consideração especial para ela. Os infortúnios que seus pecados lhes trouxeram caíram dura e espessamente sobre eles. Porem ainda assim que as bênçãos mais abundantes se destilem sobre eles.

Ainda que nossa tradução não seja correta literalmente, no entanto ela expressa uma grande verdade, que é ensinada claramente no contexto. Por consequência, daremos mais um passo. A vinda de Cristo é uma alegria para todos os povos. E assim é, pois o versículo quatorze diz, “E na terra paz”, a qual é uma expressão ampla e até ilimitada. E acrescenta, “paz entre os...” – não diz judeus, mas sim – “...homens”, todos os homens. A palavra é o nome genérico da raça inteira, e não há dúvida que a vinda de Cristo traz alegria a todo tipos de pessoas.

Traz uma medida de gozo até mesmo para aqueles que não são cristãos. Cristo não os abençoa no sentido mais elevado e verdadeiro, mas a influência de Seu ensino reparte benefícios de um tipo inferior, tais como são capazes de receber. Porque onde quer que o Evangelho seja proclamado, não é pequena a benção para todo o povo. Observem esse fato, que não há país sob o sol onde uma Bíblia esteja aberta e um Evangelho pregado em que um tirano possa sustentar-se por longo tempo. Não importa quem seja ele, Papa ou rei. Que o púlpito seja adequadamente utilizado para pregação de Cristo crucificado, que a Bíblia seja aberta por todos os homens, e não haverá tirano que governe em paz por muito tempo.

A Inglaterra deve sua liberdade à Bíblia. A França nunca possuirá liberdade perdurável e bem estabelecida até que venha reverenciar o Evangelho, que durante muito tempo rejeitou[4]. Há alegria para toda humanidade, ali aonde Cristo vêm. A religião de Jesus faz com que os homens pensem, e fazer os homens pensarem é sempre perigoso para o poder de um déspota. A religião de Jesus liberta o homem da superstição. Quando ele crê em Jesus, o que lhe preocupa as excomunhões papais, ou se os sacerdotes dão o retém sua absolvição? Esse homem não se acovarda nem se dobra. Já não está disposto a ser conduzido pelo nariz como uma besta, mas sim que ao aprender a pensar por si mesmo e converter-se em homem, desdenha dos temores infantis que alguma vez o mantiveram em escravidão.

Conseguinte, aonde Jesus vem, ainda se os homens não o recebem como o Salvador, e com isso se perdem da alegria mais plena, no entanto, eles obtêm uma medida de benefício. E rogo a Deus que por todas as partes assim seja proclamado Seu Evangelho, e que muitos possam ser movidos pelo espírito desse Evangelho para que seja o melhor para humanidade. Se os homens recebem a Cristo já não haverá mais opressão; o verdadeiro cristão trata os outros como ele quisera que eles o tratassem, e já não há mais enfrentamentos de classes, nem o rosto dos pobres é triturado.

A escravidão deve cair onde o cristianismo governa, e notem, se alguma vez o catolicismo romano é destruído, e o cristianismo puro chega a governar todas as nações, a mesma guerra deveria chegar a um fim. Pois se existe algo que esse Livro denuncia e considera como o maior dos crimes, é o crime da guerra.

Guarda sua espada em sua bainha, pois Ele não disse: “Não matarás”? E Ele não quis dizer que era pecado matar a um, mas que era glória matar um milhão – ele quis dizer que derramar sangue em escala mais pequena ou mais grande era pecado. Que Cristo governe, e os homens romperão o arco e farão pedaços das lanças, e queimarão os carros de combate no fogo. É alegria para todas as nações que Cristo é nascido, o Príncipe da Paz, o Rei que governa em Justiça. Porem, amados irmãos, que maior alegria é para os que conhecem a Cristo como um Salvador. Aqui o canto eleva-se a uma nota maior e mais sublime. Certamente nos nasceu a um Menino, se podemos dizer que Ele é nosso “Salvador, que é CRISTO o Senhor.”

Deixem-me fazer-lhes a cada um de vocês algumas quantas perguntas pessoais. Seus pecados foram perdoados por causa de Seu nome? A cabeça da serpente foi ferida na alma de vocês? A semente da mulher reina com poder santificador na natureza de vocês? Ó, então vocês possuem a alegria que é para todos em sua verdadeira forma, e queridos irmãos, quanto mais se submetam a Cristo o Senhor, e mais plenamente O conheçam e sejam semelhantes a Ele, a felicidade de vocês será mais plena.

Existe uma alegria superficial para os que vivem onde se prega o Salvador. Porem, as grandes profundidades, as grandes profundidades insondáveis de alegria solene que brilham e reluzem com deleite são para os que conhecem ao Salvador, obedecem ao Ungido e possuem comunhão com o próprio Senhor.

O homem mais alegre é o homem mais próximo de Cristo. Eu quisera que alguns cristãos fossem cristãos mais verdadeiros, pois são cristãos e algo mais. Seria muito melhor se fossem somente cristãos.

Talvez vocês conheçam a lenda, ou talvez a história autêntica, do despertar de Santo Agostinho. Ele sonhou um a vez que morria e ia às portas do céu, e o guardião da porta lhe perguntou: “quem és tu?” E ele respondeu: “Christianus sum”, quer dizer, “sou um cristão”. Porem, o porteiro replicou: “não, não és cristão, és um ciceroniano, porque teus pensamentos e estudos foram fundamentalmente dirigidos para os trabalhos de Cícero e os clássicos, e não atendestes ao ensino de Jesus. Aqui julgamos os homens por aquilo que mais absorveu seus pensamentos, e és julgado como não sendo um cristão, mas sim um ciceroniano.”

Quando Agostinho despertou, deixou de lado os clássicos que tinha estudado e a eloquência que o inspirava, e disse: “serei um cristão e um teólogo.” E desse momento em diante dedicou seus pensamentos à Palavra de Deus, e sua pluma e língua à instrução de outros na verdade.

Ó, eu não desejaria que fosse dito de alguns de vocês: “bem, pode ser mais ou menos um cristão, porem, é muito mais um comerciante dedicado a fazer dinheiro.” Não desejaria que fosse comentado de alguns de vocês: “bem, talvez seja um cristão, porem é muito melhor político.” Ou: “Talvez seja um cristão, porem se sente mais confortável quando fala de ciência, agricultura, engenharia, cavalos, mineração, navegação, ou viagens, etc.”

Não, não, jamais conhecerão a plenitude da alegria que Jesus traz para a alma, a menos que sob o poder do Espírito Santo, vocês tomem ao Senhor como seu Todo em todo, e façam Dele a fonte de seu deleite mais intenso. “Ele é meu Salvador, meu Cristo, meu Senhor.” Que seja isso de que mais se gloriem. Então conhecerão a alegria que o cântico do anjo predisse aos homens.

III. Devo seguir adiante. O último no texto a citar é O SINAL. Os pastores não pediram um sinal, mas lhes foi dado gratuitamente um. Algumas vezes é pecaminoso que solicitemos como evidência o que a ternura de Deus considera dar como uma ajuda para a fé. A incredulidade obstinada não receberá sinal, mas a fé frágil terá ajuda compassiva.

O sinal de que a alegria do mundo tinha chegado foi esse: deveriam ir ao presépio para achar ao Cristo nele, e Ele ia ser o sinal. Cada circunstância é instrutiva. O bebê foi achado “envolto em panos.” Agora observem, ao olhar esse infante, que aqui não existe a mais remota aparência de poder temporal. Observem os débeis bracinhos de um bebê que deve ser carregado.

Ai, as nações da terra buscam a alegria no poder militar.[5] ‘Por quais meios podemos fazer uma nação de soldados?’ O método Prussiano é admirável[6]. ‘Devemos ter milhares e milhares de homens armados e grandes canhões e tanques encouraçados para matar e destruir’. Acaso não é o orgulho de uma nação ser gigante em armas?

Que orgulho cora as faces do patriota quando esse lembra que sua nação pode assassinar mais rápido que qualquer outra! À, insensata geração, estão buscando e apalpando nas chamas do inferno para achar seu céu, ciscando entre sangue e ossos buscando essa coisa imunda que vocês chamam glória.

O gozo de uma nação jamais pode descansar na desgraça de outros. O assassinato não é o caminho da prosperidade, os imensos armamentos são uma maldição para própria nação, assim como para seus vizinhos. A alegria de uma nação é uma arena dourada na qual jamais tenha sido empapada por um riacho de sangue. Só encontra-se essa alegria no rio cujas correntes alegram a cidade de Deus. A debilidade da ternura submissa é poder verdadeiro.

Jesus funda Seu império eterno não na força, mas sim no amor. Aqui, todos vocês, vejam sua esperança. O aprazível Príncipe pacifico, cuja glória é Seu próprio sacrifício, é nosso verdadeiro benfeitor. Porem, olhem novamente, e não observarão nenhuma pompa que os deslumbre. Por acaso o menino está envolto em púrpura e linho fino? Não! Dorme em um berço de ouro? Ó, somente a estalagem é Seu refúgio. O bebê não possui uma coroa em Sua cabeça, nem uma diadema rodeia a testa da mãe. Uma simples jovem de Galiléia, e um menino pequeno envolto em panos ordinários, é tudo o que vocês enxergam:


“Não te proteges em cortesão teto,
Nem no ensolarado salão do poder,
Passa rápido ante Babel, e busca a terra sagrada
Das roupas púrpuras de Tiro
Aparta teus olhos sem que se deslumbrem , e volte-os
Ao prado de Belém, e permanece junto à manjedoura.”

Ai, as nações são deslumbradas por um espetáculo vão. A pompa dos impérios, os desfiles dos reis, são seu deleite. Como podem admirar essas ostentosas cortes nas que muito frequentemente as gloriosas vestes, as decorações e os graus sociais substituem à virtude, à castidade e a verdade de Deus? Quando as pessoas deixarão de serem tão infantis?

Desejarão sempre ardentemente essa música marcial que estimula a violência, e se deleitarão em gastos cheios de desperdícios que os sobrecarregam de impostos? Essas coisas não fazem uma nação grande ou feliz. À, como se rasgou o bolha naquele estreito mar! Um império borbulhoso entrou em colapso. Dez mil baionetas e milhões em ouro resultaram ser uma fundação de areia para um trono de Babel. Vãos são os homens que buscam alegria na pompa. A alegria se encontra na verdade e na justiça, na paz e na salvação, de tudo o qual àquele recém-nascido, Príncipe em roupas de um menino campesino, é o símbolo verdadeiro.

Tampouco poderiam ser vistas riquezas em Belém. Aqui nessa quieta ilha Britânica, as massas buscam confortavelmente seus milhares de libras por meio do comércio e das fábricas. Somos pessoas sensatas que seguimos a maior oportunidade e não nos deixamos enganar por ideias de glória. Estamos fazendo todo o dinheiro que podemos, e nos maravilhamos que outras nações desperdicem tanto na guerra. O principal pilar e motivação da alegria da Inglaterra se deve achar, como alguns nos dizem, nas porcentagens do rendimento, na possessão de colônias[7], no desenvolvimento do maquinário e no incrementar regularmente nosso capital[8].

Mamóm não é uma deidade sorridente? Porem aqui, no berço da esperança do mundo em Belém, vejo muito mais pobreza do que riqueza. Não percebo os brilhos do ouro, nem os brilhantes adornos de prata. Só percebo a um bebê pobre, tão pobre, verdadeiramente tão pobre, que ele foi colocado em uma manjedoura. E sua mãe é a esposa de um trabalhador, uma mulher que não usa nem seda nem jóias. Não seja em seu ouro, ó ingleses, onde jamais descansem sua alegria, mas sim no Evangelho desfrutado em todas as classes. O Evangelho pregado gratuitamente e recebido com gozo. Jesus, ao elevar-nos à riqueza espiritual, nos redime das cadeias de Mamóm, e nessa liberdade nos dá alegria.

Aqui tampouco vejo superstição. Sei que o artista pinta anjos nos céus, e rodeia a cena com uma luz misteriosa, da qual a tradição de falsidade tem dito que a meia-noite foi tão brilhante como o meio-dia. Isso é meramente uma ficção. Não houve ali nada mais do que um estábulo, a palha que o boi ruminava, e talvez as próprias bestas, juntos ao menino envolto como qualquer outro nenê, da maneira mais simples e sincera. Os querubins eram invisíveis e não havia aureolas. Ao redor desse nascimento de alegria não houve sinal de superstição: esse demônio não se atreveu a introduzir seus truques nem fingimentos nesse sublime espetáculo. Ele teria estado ali tão fora de lugar e deslocado como um palhaço dentro do Santo dos Santos.

Um Evangelho sincero, um Evangelho claro, tão claro como esse menino coberto nas roupinhas e panos mais comuns, é nesse nosso dia a única esperança dos homens. Sejam sábios e creiam em Jesus, e aborreçam todas as mentiras de Roma e as invenções daqueles que imitam suas abominações detestáveis.

Tampouco o gozo do mundo descansa na filosofia. Não poderiam ter feito de Belém um enigma de homens doutos ainda que tivessem tentado. Só tratava-se de um menino na manjedoura e de uma mulher judia cuidando e alimentando ele, mais um carpinteiro junto dela. Não havia ali nenhuma dificuldade metafísica, da que os homens poderiam dizer: “é necessário um doutor em teologia para explicá-lo, e uma assembleia de teólogos para expô-la.”

É verdade que os magos chegaram lá, mas somente para adorá-lo e oferecer presentes – ó, que todos os homens sábios fossem tão sábios como eles. Ai, a sutileza humana disputou sobre a manjedoura, e a lógica obscureceu o conselho de suas palavras. Porem essa é uma das muitas invenções do homem, a obra de Deus foi sublimemente simples. Aqui é “o Verbo que foi feito carne,” para habitar entre nós, um mistério para a fé, porem não um tema de debate. Um tema misterioso, e, no entanto, a maior simplicidade jamais falada aos ouvidos humanos, e vista por olhos mortais. E assim é o Evangelho, que quando o Apóstolo pregava dizia “usamos de muita franqueza.”

Marchem longe, longe, longe com seus sermões eruditos, e sua fina conversação, e suas pretensiosas filosofias. Essas jamais criaram nem um ápice de alegria nesse mundo. As teorias finamente tecidas são agradáveis para serem contempladas e para confundir aos insensatos, porem não são de utilidade para os homens práticos. Não consolam aos filhos do trabalho fatigante, nem alegram as filhas da dor. O homem de sentido comum que sente a rotina e o desgaste diário desse pobre mundo, necessita de um consolo mais rico do que as novas teologias, ou neologias, podem dar-lhe.

Em um Cristo simples, e em uma fé simples nesse Cristo, há uma paz profunda e duradoura. Em um sincero Evangelho para o homem pobre, há uma alegria e uma felicidade inexpressáveis, da que milhares de pessoas podem falar, e falar com confiança, também, porque declaram o que certamente sabem, e testificam o que viram.

Eu lhes digo então a vocês, que quiserem conhecer a única paz verdadeira e a alegria perdurável, venham ao bebê de Belém, em dias posteriores o Varão de Dores, o Sacrifício substitutivo para os pecadores. Venham, vocês meninos, garotos e garotas, venham. Pois Ele também foi um garotinho. “O Santo menino Jesus” é o Salvador dos meninos, e ainda diz: “Deixai vir a mim os meninos e não os impeçais.” Venham aqui, mocinhas, vocês que, todavia, estão na alvorada de sua beleza e, como Maria, alegrem-se em Deus seu Salvador. A virgem O carregou em seu colo – assim venham também e O carreguem em seus corações, dizendo “Porque um menino nos nasceu, filho nos foi dado.”

E vocês, vocês homens na plenitude de seu vigor, recordem como José cuidou Dele, e vigiou com solicitude reverente seus ternos anos. Sejam vocês para Sua causa como pais e protetores. Santifiquem o vigor de vocês para Seu serviço. E vocês, mulheres, avançadas em anos, vocês matronas e viúvas, venham como Ana e bendigam ao Senhor porque viram a salvação de Israel. E vocês que levam cabelos brancos, que como Simeão estão prontos para partir, venham e tomem ao Salvador em seus braços, adorando-o como o Salvador de vocês e o tudo de vocês. Vocês pastores, de coração sincero, que trabalham duro pelo pão diário, venham e adorem ao Salvador. E não se deixem para trás vocês, os sábios, que sabem por experiência e os que pela meditação contemplam a verdade profunda, venham e como os magos do Oriente, inclinem-se profundamente diante de Sua presença, e façam que sua honra consista em render honra a Cristo o Senhor.

No que me diz respeito, o Deus encarnado é toda minha esperança e minha confiança. Vi a religião do mundo lá onde está seu manancial, e meu coração adoentou-se dentre de mim. Regresso a pregar, com a ajuda de Deus, ainda mais seriamente o Evangelho, o Evangelho sincero do Filho do Homem. Jesus, Senhor, Te tomo para que sejas meu para sempre! Que todos nessa casa, por meio da rica graça de Deus, sejam conduzidos a fazer o mesmo, e que todos eles sejam Teu, grandioso Filho de Deus, no dia de Tua vinda, por causa de Teu amor. Amém.



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ORE PARA QUE O ESPIRITIO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.


FONTE
Traduzido de http://www.spurgeon.com.mx/sermon1026.html

Todo direito de tradução protegido por lei internacional de domínio público e com permissão de Allan Roman do espanhol.

Sermão nº 1026—Volume 17 do The Metropolitan Tabernacle Pulpit,
Original em inglês: JOY BORN AT BETHLEHEM
Tradução e revisão: Armando Marcos Pinto

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